Fichamento do livro: Pedagogia da Autonomia  escrito em sábado 05 junho 2010 21:00

FICHAMENTO

Livro: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

Nesta referida obra, Freire elenca aspectos, que segundo ele, devem fazer parte da formação técnica do profissional de educação, para que a escola passe a ser um espaço  de discussão e construção de novos conhecimentos.

Não há docência sem discência

 “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode,. ir virando um blábláblá e a prática, ativismo” (Freire, 1996, p. 24).

Segundo Freire, a linha pedagógica adotada pelo professor, seja ele um progressista ou um conservador, existem saberes necessários que ambas as linhas de pensamento devem seguir. Todo processo que vise o desenvolvimento de um modelo de ensino deve, basicamente, considerar também a direção dada à aprendizagem. Assim, o professor ensina e aprende ao mesmo tempo, não apenas no formato acadêmico, mas também na própria base de formação da ação.

Ao educador cabe instaurar o rigorismo do método, em função de despertar no educando a curiosidade aquela que busca o conhecimento, portanto insubmissa, e então, por extensão da idéia, formadora do senso crítico. Aprender criticamente é, em suma, formar a autonomia. Não é jamais, um estado de apropriar-se do conhecimento do mestre, mas um ato de formação e de interação da própria capacidade cognitiva do indivíduo com o meio. Assim, o mestre provém o aluno dos instrumentos apenas, do ferramental para a perfectibilização da formação crítica no indivíduo enquanto aluno.

 Segundo palavras de Freire (id. p. 32), Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.  Não  se  trata,  segundo  ele, de uma qualidade do professor, tampouco de uma metodologia de ensino, mas sim, deve inserir-se em um projeto maior e de mais alcance, ou seja, deve se dar um verdadeiro acompanhamento de todo o processo que é e que envolve a vida daquele indivíduo que vem junto a si aprender. Neste sentido, é básico que o modelo escolar como um todo seja construído no rumo da administração de uma conduta respeitosa quanto aos saberes inerentes ao meio social do indivíduo. Ao ensinar os conteúdos, o professor deve ser capaz de apresentá-los com elementos e subsídios saídos do cotidiano daquele que aprende o que, por si só, já é um dínamo facilitador do aprendizado.

Dentre os recursos que apresenta o mestre, é básico que demonstre aos seus alunos a coerência em sua postura humana e em suas idéias. O que diz precisa, necessariamente, andar casado com os exemplos que dá aos alunos. Assim, a formação moral, para que seja transmitida com toda uma base específica ou com todo um fundamento ético, necessita de um aprofundamento não só naquilo que se transmite, mas na própria atuação particular do professor. Esse aprofundamento necessário, no tocante à moral do educador, é exatamente o fator que poderá permitir-lhe uma participação livre do medo e do risco de expor suas idéias e seus conceitos, bem como o isenta de uma atuação discriminatória quando é o outro indivíduo que se expõe, indireto à formação de outro indivíduo.

 A experiência histórica, política, cultural e social dos homens e das  mulheres jamais pode se dar "virgem" do conflito entre as forças que obstaculizam,a busca da assunção de si por parte dos indivíduos e dos grupos e das forças que trabalham em favor daquela assunção (id. p. 47).

Ensinar não é transferir conhecimento

  “Quando entro em sala de aula devo estar sendo um ser aberto a   indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico,e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a   transferir conhecimento” (id., p. 52).

  O saber científico que o professor apresenta aos alunos é de suma importância no processo de ensinar, mas nem de longe o é absoluto, na medida em que se deve dar espaço aos valores inerentes à formação tanto do caráter como do senso crítico, embasados que são em conteúdos intrínsecos ao que de humano possuímos. É preciso que se leve em consideração, tanto ao aprender quanto ao ensinar, as medidas possíveis das quais dispomos, seja as de superação, seja as de falibilidade na atuação particular a cada indivíduo.

 ”É o meu bom senso que me adverte de que exercer a minha autoridade    de professor na classe, tomando decisões, orientando atividades, estabelecendo   tarefas, cobrando a produção individual e coletiva do grupo não é sinal de  autoritarismo de minha parte. É a minha autoridade cumprindo o seu  dever “(id., p. 68).

O ato de ensinar deve ser revestido de um envoltório político, basicamente porque inerente ao homem e suas peculiaridades sociais, mas jamais potencialmente partidário ou ideológico, embora deva ministrar os conhecimentos no sentido de uma conscientização da extensão da realidade social de cada um. Ao formar seu senso político de forma não ideológica, não impositiva, mas por atuação crítica, o indivíduo desenvolve as ferramentas a por si só, desviar-se de elementos antagônicos ao desenvolvimento social. Se ele o faz, contudo, pautado em ideologias politiqueiras, torna-se um refém de sua própria condição social e, por vezes até escravo dela. 

Ensinar é uma especificidade humana

 O ato de ensinar, segundo Freire (id. p. 102), exige segurança, competência profissional e generosidade. Professores há que, embora tecnicamente preparados não disponham das capacidades mais básicas como, por exemplo, a capacidade de doação. A capacitação humana dotada de valores morais e éticos pelo professor envolve aquele que aprende na confiança e no respeito, tanto de seus particulares princípios como de seu entendimento de mundo.

A necessidade mais básica aos atos de ensino e de aprendizado anda estreitamente ligada ao modelo democrático de atuação. O falar e o escutar devem ter um mesmo peso ao menos, senão mais ao escutar o outro. O conhecimento não pode ser imposto ao outro, ou colocado imperativamente, em conformidade com um modelo determinado antecipadamente, mas sim deve ser construído em conjunto, de uma forma aberta, interativa e interdisciplinar.

Isso porque se dispusermos de um ensinamento ministrado de forma impositiva, por certo longe estaremos do ideal democrático que se impõe acima de qualquer outro, qual seja, o diálogo aberto e pleno, a valorização interativa dos saberem individuais ou ainda, a comparação dialética desses saberes e das cognições. Vê-se, portanto, que ao mestre de capacidade humana desenvolvida são inerentes posições ou intenções como a do querer bem ao seu aluno e de respeitá-lo; de tolerá-lo de forma humilde e alegre; de estar receptivo aos novos paradigmas e aos novos entendimentos, à esperança e à justiça, sob pena de não estar apto a uma prática pedagógico-progressista.

 

 

 

 

 

 

 

 

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